
Os erros comuns no Google Ads para médicos quase sempre começam na escolha das palavras, e não no tamanho da verba. Quando a clínica paga por buscas como ”vaga de médico” ou ”exame grátis”, o clique chega, mas quem clicou não quer consulta. O dinheiro sai, a recepção fica quieta e a agenda não muda.
Quem precisa de um médico raramente digita o nome técnico da especialidade. A pessoa escreve o sintoma, como ”dor nas costas que não passa”, ou o problema, como ”unha encravada”, ou faz uma pergunta prática, como ”cardiologista com convênio perto de mim”. Antes de pensar em verba, vale entender essa linguagem, porque é ela que aparece na caixa de busca.
Na prática, a busca costuma seguir uma ordem. Primeiro a pessoa tenta resolver em casa ou pergunta para alguém de confiança. Depois procura um nome, uma cidade e um horário que caiba na rotina. Só então compara dois ou três profissionais e liga para quem responde melhor. O anúncio entra nessa última etapa, quando a intenção de marcar já existe.
Isso muda o que você paga. Um anúncio que aparece para quem ainda está estudando o problema gera clique, mas dificilmente gera consulta. Um anúncio que aparece para quem já quer marcar pode funcionar, desde que a página responda o que essa pessoa quer saber: especialidade, cidade, convênio aceito, endereço e como marcar.
Faça o teste você mesmo. Pesquise as palavras que imagina usar, de preferência em janela anônima, com a cidade do seu consultório. Veja o que aparece: outros profissionais, diretórios, perguntas do tipo ”quanto custa” e páginas de informação. Anote o que se repete. Essa lista vale mais do que qualquer sugestão pronta, porque mostra como as pessoas da sua região buscam de verdade. Os resultados mudam de um lugar para outro, então não tire conclusões de uma pesquisa só.
Atenção ao vocabulário dos dois lados. O paciente fala em ”médico do coração”, e você escreve ”cardiologista clínico”. Use a linguagem da busca no texto do anúncio e na página, mas mantenha o título de especialista correto. Quando a regra pedir, isso inclui o RQE, o Registro de Qualificação de Especialista, que identifica a especialidade reconhecida. Imprecisão nesse ponto pode criar problema com o conselho e confundir quem chega.
Por fim, pense em situações concretas. Um ortopedista em Resende pode ser procurado como ”dor no joelho”, ”ortopedista Resende” ou ”joelho que trava ao subir escada”. Cada uma dessas buscas pede uma resposta diferente na página. Se você escreve só para a última, perde a primeira, que costuma ser a pessoa com mais dúvida.
O erro mais comum é escolher palavras amplas, como ”médico” ou ”clínica”, e deixar o Google decidir o resto. A palavra ”médico” aparece em vagas de emprego, trabalhos escolares, notícias, perguntas sobre carreira e buscas de quem só quer entender o que é uma especialidade. Cada clique desses custa dinheiro e não tem paciente do outro lado.
Por isso, a palavra negativa é tão importante quanto a palavra-chave. Ela avisa ao Google em quais buscas o seu anúncio não deve aparecer. Em medicina, a lista muda por especialidade, porque cada área atrai ruídos diferentes. Um dermatologista precisa barrar termos de formação e de produtos que não têm relação com consulta, enquanto um pediatra lida com outros ruídos, como buscas sobre escolas e cuidados infantis em geral.
Num exemplo hipotético, um consultório de dermatologia em Barra Mansa usa só ”dermatologista” e ”dermatologia” como palavras-chave, sem nenhuma negativa. Entre as buscas que geram cobrança aparecem ”curso de dermatologia”, ”salário de dermatologista” e ”dermatologia veterinária”. Nenhuma dessas pessoas vai marcar consulta, e a verba do mês termina sem uma ligação útil.
Uma lista inicial de negativas costuma incluir os grupos abaixo. Adapte cada item ao que realmente se aplica à sua prática:
Revise o relatório de termos de pesquisa logo nas primeiras semanas. Procure buscas que geraram clique e nenhum contato. Adicione as negativas que aparecem e acompanhe se o volume caiu sem perder as buscas que trazem paciente. Nos primeiros dias, esse trabalho consome mais tempo do que a campanha em si, e isso é normal.
Cuidado com o exagero no outro sentido. Uma negativa mal colocada, como ”consulta” ou ”convênio” bloqueadas por engano, também elimina paciente de verdade. Mude uma coisa por vez e observe por alguns dias antes de mudar a próxima. Assim você sabe o que funcionou, e não apenas que algo mudou.
Segmentar por cidade significa mostrar o anúncio só para quem está nos municípios que você atende. Parece óbvio, mas muita clínica deixa a área grande demais e paga por cliques de quem mora longe e não vai se deslocar. Para um consultório, o paciente que mora a meia hora de distância pesa diferente do que mora a duas horas.
Na região Sul Fluminense, a distância conta. Nem sempre quem mora em Angra dos Reis vai a Resende para uma consulta de rotina, e o caminho inverso também é verdade. Se o seu consultório fica em Volta Redonda, decida com clareza se você atende Barra Mansa e outras cidades próximas. Depois, configure o anúncio de acordo com essa decisão, e não com o desejo de aparecer em todo lugar ao mesmo tempo.
O Google estima a localização da pessoa por sinais do aparelho e da conta, e isso não é exato. Quem mora na cidade vizinha pode aparecer como se fosse da sua área, e quem está de passagem também. Não há garantia de precisão total. Ainda assim, a segmentação corta boa parte do clique de quem está longe demais para vir, e isso já economiza verba todo mês.
Ao escrever o anúncio, cite a cidade de forma natural, com a especialidade na frente: ”Cardiologista em Resende, com consultas nas terças e quintas”. Evite listar várias cidades no título, porque o texto fica confuso e o paciente não sabe se é atendido ali. Se você atende em mais de uma unidade, cada unidade merece sua própria página ou seção, com endereço e forma de chegar.
Num exemplo hipotético, uma fisioterapeuta de Volta Redonda atende só à tarde, em dias definidos. Ela não precisa de um anúncio aberto para toda a região. Pode limitar a área às cidades vizinhas e programar os dias e horários em que o anúncio roda. Assim a verba cai nos momentos em que há alguém disponível para responder, e não nas madrugadas em que ninguém atende.
Revise o relatório de localização a cada quinzena. Veja de quais cidades vêm as ligações atendidas e de quais vêm só cliques. Se uma cidade gera contato com frequência, vale dar mais espaço a ela. Se uma cidade só gera clique, reduza a área ou tire a cidade da campanha. Essa decisão é simples, mas costuma ser onde a verba mais vaza.
O texto do anúncio é onde o médico mais esbarra na ética. O Conselho Federal de Medicina tem resoluções sobre publicidade médica, e o google ads para médico tem sua própria política para anúncios de saúde. As duas exigências valem ao mesmo tempo. Cumprir só uma não basta, e a regra do conselho não substitui a do Google, nem o contrário.
Aqui surge uma confusão real. Textos sobre o tema citam a Resolução 1.974/2011 do CFM e também a Resolução 2.336/2023, que é a mais recente das duas. Alguns usam uma, outros usam a outra, e nem sempre deixam claro qual vale para cada caso. Não vou afirmar aqui qual se aplica à sua situação, porque a resposta depende do conteúdo e da versão vigente na data de publicação. Confirme no site do CFM e, se restar dúvida, pergunte ao seu CRM.
As fontes também divergem sobre o que pode aparecer: depoimento de paciente, foto de antes e depois, comparação com outros profissionais e imagens de procedimentos. Essa parte exige atenção especial. Quando a regra não estiver clara para você, trate o item como proibido até confirmar por escrito com a fonte oficial ou com o conselho. Pausar um item custa pouco. Responder a uma denúncia custa muito mais.
Antes de publicar, passe o texto por esta checagem:
A política de saúde e medicamentos do Google Ads pode exigir verificação para certos anúncios e restringir alguns conteúdos. Ela muda com o tempo, e a sua conta pode ter regras diferentes conforme a categoria. Leia a Central de Ajuda do Google Ads antes de criar a campanha e de novo sempre que um anúncio for reprovado. A mensagem de recusa costuma indicar o trecho problemático, e vale ler até o fim.
Nunca conte com resultado garantido. Um texto que promete ”resolva sua dor em uma consulta” pode ser recusado, e mesmo que passe, cria uma expectativa que o consultório não controla. Escreva o que você oferece de fato: especialidade, cidade, forma de marcar e o tipo de atendimento. Isso é mais honesto, e a pessoa que chega já sabe o que esperar.
O anúncio leva a pessoa a algum lugar. Pode ser um número de telefone, um formulário, uma conversa no WhatsApp ou uma página do site. Cada canal exige uma operação diferente, e a maioria das clínicas pequenas escolhe sem pensar no trabalho que vem depois. O erro aqui não é técnico, é de rotina.
A ligação parece a opção mais direta, mas exige alguém atendendo no horário em que o anúncio está ativo. Se a campanha roda às 22h e a recepção fecha às 18h, a verba paga por contatos que ninguém vai atender. Antes de ligar a campanha, confirme quem atende o telefone, em que horário e o que acontece quando a linha está ocupada.
O formulário costuma ser mais barato de operar, mas precisa de retorno rápido. Atenção também aos dados. A LGPD trata informações sobre saúde como dados sensíveis, então peça só o necessário, como nome e telefone, e explique para que vai usar. Não peça sintomas, histórico ou exames em um formulário de anúncio. Essa informação pertence à consulta, não à captação.
O WhatsApp é prático, mas vira fila. Uma mensagem sem resposta por horas parece descaso, e o paciente segue para o próximo nome da lista. Defina quem responde e em que horário. Uma mensagem automática de recebimento ajuda, desde que seja clara sobre o horário de atendimento e não tente dar orientação clínica pelo chat.
A página de destino deve responder à pergunta de quem chegou. Mostre especialidade, cidade, endereço, como marcar e, se for o caso, os convênios aceitos. Evite pop-up e texto longo de venda, porque a pessoa está no celular, com pouca paciência, e quer confirmar se o consultório resolve o que ela precisa. Uma página simples costuma ganhar da página bonita.
Antes de subir a campanha, faça o caminho do paciente você mesmo. Clique no anúncio pelo celular, ligue, mande mensagem e preencha o formulário. Anote quanto tempo levou para ter resposta e se a informação faz sentido. Se você mesmo demora ou fica confuso, o paciente também vai desistir, e a verba terá sido gasta à toa.
Nem todo consultório precisa de anúncio pago para ser encontrado. Existem perfis gratuitos no Google, perfis em diretórios de saúde, presença em conselhos e indicações de outros profissionais. A escolha não é entre bom e ruim. São caminhos com custo, controle e tempo diferentes, e cada um serve a um momento da clínica.
A tabela abaixo compara os três caminhos mais comuns para um consultório pequeno:
| Caminho | Quem controla o texto | Custo para começar | O que você precisa manter | Quando faz mais sentido |
|---|---|---|---|---|
| Anúncio pago no Google | Você, dentro das regras da plataforma | Verba definida por você, cobrada por clique | Palavras negativas, área de atuação, texto e medição | Quando há pouca procura espontânea e você quer testar uma especialidade ou horário |
| Perfil em diretório de saúde | Você, com os limites do próprio diretório | Depende do diretório e das condições dele | Telefone, endereço, horário e serviços sempre conferidos | Quando você quer uma presença básica que o paciente encontra ao pesquisar profissionais |
| Perfil da empresa no google ads para médico | Você, com revisão do próprio Google | Gratuito para criar | Endereço, horário, fotos e respostas às avaliações | Quando o paciente busca pelo nome do consultório ou pela cidade |
Um detalhe que muita gente ignora: estar num diretório não quer dizer que o profissional foi avaliado pelo portal, que as credenciais foram verificadas ou que o perfil está completo. Quem mantém os dados, na maioria das vezes, é o próprio consultório, e isso vale para o diretório e para o perfil no Google. Confira o seu perfil em cada lugar: telefone, endereço, horário, especialidade e forma de contato. Se algo estiver errado ou faltando, corrija, porque ninguém vai fazer isso por você.
Anúncio pago e presença orgânica respondem a perguntas diferentes. O anúncio aparece enquanto a verba está ativa e some quando ela acaba. A presença orgânica, que inclui o perfil no Google e as páginas do seu site, leva mais tempo para ser construída e depende de manutenção constante. As diretrizes do Google Search Central sobre conteúdo ajudam a organizar essa parte, mas nenhuma delas garante posição ou resultado.
Para quem nunca anunciou, a ordem costuma ser mais sensata assim: primeiro arrumar os perfis gratuitos, depois testar uma campanha pequena, com uma especialidade e uma cidade, e só então avaliar se vale ampliar. Pular a primeira etapa é um dos erros mais caros, porque a campanha manda gente para um perfil que ainda está errado.
Num exemplo hipotético, um clínico geral tem perfil desatualizado no Google, com horário antigo, e um telefone que não existe mais em um diretório. Ele decide investir no anúncio antes de corrigir esses dados. Quem clica chega, não encontra o número certo e volta para o resultado seguinte. Corrigir os perfis é, nesse caso, a forma mais barata de aproveitar qualquer verba.
Ainda assim, o perfil gratuito não substitui o anúncio em todos os casos. Se a sua especialidade tem pouca busca espontânea na cidade, ou se você quer testar um horário novo, o anúncio pode ser o caminho mais rápido para entender a demanda. A decisão depende do momento da clínica, e não de uma regra universal.
Antes de aumentar a verba, olhe para onde o contato está indo. Se a ligação cai no vazio, o anúncio não tem culpa. Muita clínica pensa em termos de cliques e impressões, porque são os números que aparecem primeiro no painel. Mas clique não é paciente. Ele mostra quanto você gastou, não quanto voltou.
O que interessa é a ligação atendida, o formulário preenchido com contato real e, no fim, a consulta marcada e realizada. Os números de topo do painel servem para um diagnóstico rápido, e só. Se a conversa termina antes de a pessoa marcar, o problema está depois do clique, e a verba sozinha não resolve.
Configure o acompanhamento de conversões no Google Ads para as ações que importam: cliques no telefone, envios de formulário e, quando possível, ligações registradas. Para ligações que o Google não consegue medir, use um número rastreado ou pergunte ao paciente, na recepção, como ele chegou até o consultório. Essa pergunta simples funciona sem tecnologia e muitas vezes revela o que o painel escondia.
Ao rastrear, lembre-se da LGPD. Não coloque dado de saúde no nome do evento nem envie informações clínicas para a plataforma de anúncio. Os eventos devem ser genéricos, como ”ligação iniciada” ou ”formulário enviado”. O consultório decide o que é coletado, e a finalidade precisa estar clara na página.
Uma vez por semana, compare quatro números: cliques, ligações ou mensagens atendidas, consultas marcadas e consultas realizadas. Se os cliques sobem e as consultas não acompanham, a conversa começa antes ou depois do clique, e você precisa descobrir em qual etapa a pessoa desiste. Anotar isso por algumas semanas dá uma leitura muito mais segura do que qualquer impressão.
Num exemplo hipotético, um consultório recebe muitas ligações no início da tarde e quase nenhuma à noite. A tentação é gastar mais à noite para aproveitar o horário. Na prática, o problema pode ser um atendimento que não responde, e não falta de procura. Ajustar o horário do anúncio ou melhorar o atendimento no pico costuma render mais do que aumentar a verba.
Mantenha o anúncio quando três coisas forem verdadeiras ao mesmo tempo: o termo pesquisado tem relação direta com o atendimento que você oferece, a página e o contato funcionam, e você consegue acompanhar o que chega. Se uma dessas partes falhar, a verba não vai compensar. Ela só vai amplificar o problema.
Use a lista abaixo como checagem semanal. Ela não é um roteiro rígido, mas cada item que você não consegue responder com segurança mostra onde a verba está vazando:
Se você respondeu não a dois ou mais itens, pause a campanha ou reduza a verba. Corrija o item que falhou e só volte quando ele estiver resolvido. Pausar não é fracasso. É a decisão de quem não quer pagar por um caminho que ainda não está pronto para receber paciente.
Anúncio não garante paciente. Ele pode aumentar a chance de contato, mas a procura depende de fatores fora do seu controle: a época do ano, a concorrência na cidade, os convênios que você aceita e a fila de atendimento. Quem espera que a campanha resolva a agenda sozinha costuma se frustrar, e tende a cortar a verba no momento errado.
Há sinais claros para voltar ao básico. A recepção não dá conta do volume, o texto precisa de promessa para vender, ou a equipe não sabe dizer o que chegou pelo anúncio. Nesses casos, arrume a casa primeiro, com perfis corretos, indicações bem cuidadas e um canal de contato que responde no mesmo dia. Depois você volta a testar com menos risco.
Comece pequeno: uma especialidade, uma cidade e uma pergunta por google ads para médico semana. Por exemplo, ”a palavra negativa melhorou a qualidade dos contatos?” ou ”o horário das ligações bate com o horário da equipe?”. Quem avança assim aprende mais rápido do que quem sobe uma campanha grande e espera que ela resolva tudo.
No listing found.